GARA, 10/03/99

      Pepe Rei nom está sozinho

      Carlos Aznárez Jornalista

      Os jornalistas dividimo-nos em dous bandos irreconciliáveis. Aqui em em toda a parte. Estám os que fam parte da estratégia do dono do "holding" para que trabalham, os bem-mandados de qualquer das opinions políticas e económicas do director-gerente que for, os que praticam a genuflexom, o "sim, senhor, nom, senhor", tornando-se em pinta-borrons, simples portadores das notícias, informaçons ou análises que interesse impor ao mandador que for. Exemplos desta classe, conhecemos neste país e no planeta todo. Chamam-se a si próprios "jornalistas objectivos", "apolíticos" ou "profissionais da notícia". Ocupam, quase todos eles, lugares de destaque no quadro de pessoal de qualquer jornal, rádio ou TV que se tiver por importante, e ganham um sobre-soldo laborando nas suas horas livres de "tertulianos", opinando e machucando numha direcçom: satisfazer o discurso único dos poderosos em contra dos que se rebelam, dissentem ou simplesmente se queixam deste mundo miserável que lhes tocou em sorte viver. Estas personagens de nomes ribombantes costumam colaborar activamente com as estratégias repressivas que se colocam os estados autoritários (ditaduras ou democracias vigiadas, tanto fai).

      No outro extremo da rua estám os jornalistas vinculados estreitamente com os sectores populares, os que fam parte indivisível das preocupaçons, as angústias e muitas vezes, a desesperaçons, dos despossuídos. Sofrem as suas mesmas pancadas e muitas vezes terminam em prisom ou venhem a engrossar as fileiras dos mártires populares.

      Os latinoamericanos sabemos bastante destes aconteceres. Centos de joranlistas desaparecidos, mortos, torturados, som o exemplo claro de que em certas circunstáncias, eleger em que lugar estar parado, pode significar a pior das puniçons.

      Pepe Rei está, sem qualquer dúvida, nete último bando, onde os que militam nele, acham com as Maes de Praça de Maio que "a única luita que se perde é a que se abandona". Por isso, nom causa assombro que um juiz de Madrid o tenha mandado mais umha vez ao cárcere. Os latinoamericanos conhecemos também destes juízes. Vários deles de nomes tremendamente simbólicos para quem os padecêrom, provocárom com o seu agir leguleio que muitos jornalistas e militantes populares nom só apodrecessem no cárcere senom que alguns terminárom nos campos de concentraçom de Chile, Argentina, Uruguai ou Guatemala.

      O juiz que hoje encarcera Pepe Rei, é o mesmo que leva casos rechamantes como o dos desaparecidos argentinos e o do genocida Pinochet. Vaia paradoxo, engendrado polo mesmo Sistema que montárom os Videla e os militares chilenos, que na hora de diagramar estratégias repressivas nom som distintos aos que pululam por estas terras.

      Com Pepe, na cadeia, estám todos os que luitam, os que nom se rendem, os que nom mudam de camisola. Os revolucionários de todas as épocas e latitudes. Com Pepe Rei estariam, nom duvidemos, os "desaparecidos" argentinos e chilenos, que tanto utiliza o juiz Garzón para aumentar a sua popularidade de fronteiras para fora, já que elas e eles nom desaparecêrom por serem apenas boas raparigas e rapazes, mas porque por cima de tudo eram entregados luitadores, combatentes pola justiça, rebeldes com causa. Gente do povo que defrontou por todos os meios osmilitares assassinos e os seus cúmplices da banca, a "Justiça, a Igreja e a politicalha". Por isso é que os matárom e os pretendem continuar a matar apagando da memória o motivo da sua rebeldia.

      Com Pepe Rei e contra a montagem que ele próprio denunciara estamos todos os jornalistas antifascistas e anticolonialistas, que fazemos desta profissom tam manuseada umha trincheira ao serviço dos que nom tenhem voz.

      Pepe Rei nom está sozinho. Sós estám os seus carrascos.


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